O Paradoxo do WhatsApp
Cheguei a casa naquele estado vegetativo em que uma pessoa já não quer tomar decisões. Se me perguntassem se queria jantar massa ou arroz, era bem capaz de responder para redigirem uma ata e que amanhã logo se via. Ó pá, a segunda-feira tem isto. A gente sai de casa de manhã ainda com alguma ilusão e chega à noite contente por ainda saber onde deixou as chaves. Tirei os sapatos, calcei os chinelos e fui direito à cozinha. Abri o frigorífico, fiquei a olhar para dentro e o frigorífico ficou a olhar para mim. Nenhum dos dois tinha grandes ideias. Aqueci umas sobras, sentei-me à mesa e peguei no telemóvel. Tinha 87 mensagens por ler no WhatsApp. Família ❤️ Carago. O coração ainda me deu um salto, porque 87 mensagens num grupo de família, numa segunda-feira, só podem querer dizer duas coisas: ou morreu alguém, ou alguém se lembrou de marcar um convívio de família. O problema é que, na minha família, marcar um convívio não significa propriamente marcar um convívio. Significa trocar oitenta ...




