A Coragem de Ficar

 


Há pais que ensinam com palavras, e há pais que ensinam pelo exemplo. No intervalo entre uma coisa e outra, cresce um amor que nem sempre se diz, mas que se sente em cada pequeno gesto, em cada presença, em cada ausência que nunca foi abandono.

Ser pai é, tantas vezes, ficar. Ficar quando o cansaço aperta, quando as dúvidas chegam, quando o mundo parece maior do que aquilo que se pode dar. E ainda assim, ficar com o coração aberto, mesmo sem certezas, mesmo sem mapa. E, às vezes, ser pai é isso. Não é ter resposta para tudo, é ficar.

Ficar quando o dinheiro não sobra, quando a mente está cheia, quando também apetece fugir um bocado da vida. Há coragem nos pais que tentam todos os dias, uma coragem que quase ninguém repara. A dos que tentam, dos que falham e recomeçam, dos que aprendem enquanto cuidam, dos que descobrem que amar também é pedir desculpa, também é crescer interiormente.

Talvez o amor de um pai seja isto. Uma forma de dizer “estou aqui” mesmo quando as palavras faltam. Uma presença que não precisa de se explicar, porque se constrói no tempo, na paciência,
na repetição dos dias.
Nem sempre se diz obrigado, porque há presenças que parecem certas, como a luz da cozinha ao fim do dia, como o som da chave na porta. Hoje não é só dia de celebrar. É dia de reconhecer,
de olhar para esse amor mais tranquilo e dar-lhe lugar,
de agradecer enquanto ainda há tempo, enquanto ainda há voz, enquanto ainda há ombro.

Porque há coisas que só parecem pequenas até deixarem de estar.

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