O amor não acontece no ideal,
mas no encontro com o que é.
Enquanto procuramos a forma perfeita,
fugimos da presença.
O outro não é um projeto a concluir,
nem uma promessa de completude.
É um ser em caminho,
como nós.
Olhar verdadeiramente
exige suspensão:
da pressa,
do juízo,
da vontade de corrigir.
As falhas não interrompem o amor.
Revelam a condição humana.
Tudo o que existe
existe com limites.
Tudo o que vive
vive incompleto.
Talvez amar seja isto:
habitar essa incompletude
sem desespero,
sem fuga.
Ficar não é apego.
É lucidez.
Reconhecer que a vida
não se resolve,
apenas se acompanha.
E, nesse acompanhar,
algo em nós
aprende a existir melhor



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