Acordei e o meu corpo percebeu logo: hoje é sexta-feira.
Acordei e o meu corpo percebeu logo:
hoje é sexta-feira.
Não porque eu esteja cheio de energia.
Mas porque eu acordo com aquela esperança parva de quem pensa:
“Hoje isto passa num instante.”
Olho para o relógio: 08h17.
Penso:
“Pronto. Hoje é dia curto.”
Passam 3 horas.
Volto a olhar:
08h19.
Sexta-feira tem esta magia:
a esperança acelera…
mas o tempo faz de propósito.
No trabalho, eu entro em modo “mínimos olímpicos”.
Faço o essencial.
E mesmo assim sinto que mereço uma medalha.
Às 16h00 já estou com espírito de fim de ano.
Começo a mandar mensagens como se fosse uma pessoa social:
“Logo faz-se qualquer coisa!”
“Bora combinar!”
“Hoje é que é!”
E toda a gente responde igual:
“Ya ya, depois dizemos.”
Sexta-feira é isto:
tu planeias como se fosses sair numa aventura…
…e acabas às 22h40 no sofá,
a comer qualquer coisa de pé,
com uma manta em cima,
a ver vídeos de um gajo a arrumar gavetas.
Eu ainda digo:
“Estou só aqui a descansar um bocadinho…”
E acordo às 03h12,
com a luz da sala acesa,
o telemóvel na cara
e uma dor no pescoço que parece castigo divino.
Sexta-feira dá-te aquela sensação de liberdade…
…mas o corpo já está em modo reforma.
Mas pronto.
Eu queixo-me…
mas gosto.



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